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IMO 2020: entenda o novo limite de enxofre no transporte marítimo

03 de setembro de 2019

Você já ouviu falar de IMO 2020? Sabe o que é isso? Mudanças no mercado internacional vem por aí! A Organização Marítima Internacional (IMO), organismo da ONU responsável por garantir uma indústria mundial limpa, segura e eficiente de transporte marítimo, implementará novas regulamentações a partir do próximo ano. A IMO 2020 promete mudanças na frota dos navios e variação nos valores dos fretes no mercado internacional. Isso porque a nova regulamentação determinou um limite de 0,5% em emissões de enxofre a partir de 1º de janeiro do ano que vem.

IMO 2020

Atualmente, este limite de emissões é de 3,5%, um grande desafio aos armadores no ano que está para vir. Este assunto começou a ser debatido em 2008 e sua revisão foi concluída em 2016, acordado como data limite o ano de 2020 para adequação da indústria.

Para alcançar as metas propostas, a IMO 2020 propõe aos armadores como opções o uso de óleo combustível com teor de enxofre reduzido, uso de gás como combustível, o uso do metanol como combustível alternativo e a instalação de sistema de limpeza de gases de escape ou “catalisadores”, que tem a função de limpar a emissão dos gases antes mesmo de serem liberados para a atmosfera. Isso tudo é apresentado no documento chamado Anexo VI da Convenção Internacional para Prevenção da Poluição por Navios (Convenção MARPOL). Este documento salienta regulamentações cada vez mais rigorosas em decorrência aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Tudo por conta das emissões de gases (incluindo os óxidos de enxofre e nitrosos) das embarcações mercantes.

A indústria estima que mais de 90% da frota global de navios dependerá de combustíveis compatíveis quando as regras de enxofre entrarem em vigor no próximo dia 1º de janeiro de 2020. Até lá, as linhas precisarão investir em diferentes tecnologias e investimentos operacionais, como depuradores. Estima-se também de que, em um período de 5 a 10 anos, os armadores conseguirão entender qual a melhor maneira e tecnologia que atende a IMO 2020.

Desafios com o IMO 2020

Para a adequação à regulamentação, os armadores terão alguns desafios a serem pontuados. Entre eles estão investimentos na frota – de acordo com a Hapag Lloyd Brasil, cerca de US$ 60 bi em exaustores. A empresa possui parte da frota que consome GNV e parte dos navios com uso de catalisadores. Os navios mais antigos terão que ser readequados. Isso implicará em algum tempo parado em docas e investimento em manutenção para operar de acordo com a nova regulamentação.

Haverá também impactos nos contratos a longo prazo – o bunker se torna variável sendo, dessa forma, uma maneira das companhias se protegerem com os valores de frete. Segundo a Hapag Lloyd, as negociações nos valores de frete marítimo se tornarão mais estáveis, porém as negociações serão mais concentradas em valores do bunker.

Outro desafio será tempo de adaptação do navio. Em média, é realizado reparo nos navios uma vez ao ano (para dry doc*). A Hapag Lloyd possui frota de 2.017 navios, e, para que seja instalado os catalisadores, existe a janela de 7 dias para tal manutenção.

Quando começou o debate sobre IMO 2020?

Em 2008, o assunto começou a ser tratado pelos órgãos competentes e acordado como 2020 a data limite de adequação. Em 2009 também foi previsto uma revisão que deveria ser realizada até o final de 2019 a fim de avaliar se o óleo combustível compatível estaria disponível para cumprir a data. Caso negativo, poderia ser adiada para 2025. Com isso, a revisão foi concluída em 2016 e entendeu-se que o óleo combustível compatível estaria disponível para atender as necessidades do mercado.

Com isso, os navios terão que usar óleo combustível a bordo com um teor de enxofre não superior a 0,5% m/m, contra o limite atual de 3,5%, que está em vigor desde janeiro de 2012. A análise do “óleo combustível usado a bordo” inclui o uso em motores principais, auxiliares e caldeiras. Isenções são consideradas para situações que envolvam a segurança do navio ou salvando vidas humanas no mar. Ou ainda se um navio e seu equipamento estiver danificado.

Como os padrões de emissão de enxofre serão alcançados?

A IMO 2020 aconselha quatro métodos (listados abaixo) que os navios podem atender aos padrões de emissões de enxofre mais baixos.

1) Utilização do óleo combustível de baixo teor de enxofre

Um novo combustível está sendo desenvolvimento, mais fino que o óleo utilizado atualmente e 6 vezes menos poluente. Esse investimento é o mais caro, onde implicará diretamente nos valores de bunker**. Por conta do seu alto investimento, será analisado a disponibilidade para atender as embarcações em operação.

2) Gás como combustível

Quando aceso, leva a emissões insignificantes de óxido de enxofre. Já é utilizado o GNV como combustível nos carros e agora pode ser utilizados no navios. Assim como no automóvel, que o GNV tira o espaço do porta malas, nos navios ocupa até 30% da capacidade dos mesmos. Navios com capacidade para 14 mil TEU ficam com espaço real de 9.800 TEU com o GNV instalado.

3) Metanol como combustível alternativo

O metanol vem sendo usado em alguns serviços de curta distância marítima devido ao alto custo de biocombustíveis no mercado. Os biocombustíveis têm níveis muito baixos de enxofre e baixas emissões de CO2. O desafio imediato é que o setor de navegação tem pouco conhecimento sobre manuseio e aplicação desses biocombustíveis. Outro desafio é que os volumes de biocombustíveis necessários para abastecer o setor são grandes. Um único navio de tamanho gigante pode consumir a produção anual de biocombustível para um navio de tamanho médio, cerca de 100 milhões de litros.

4) Uso de catalisadores

Os sistemas de limpeza de gases de escape ou purificadores “limpam” as emissões antes de serem libertadas para a atmosfera. O catalisador filtra os poluentes emitidos pela embarcação e pode ser implantado nos navios atuais (onde atualmente operam o óleo tradicional como combustível)

* Artigo escrito por Chiara C. Pasqualini, analista de operações da Allog.

Fonte:

– International Maritime Organization

– Semana Cultural Allog (Palestra Happag Lloyd)

– Portal Log Web

* Dry Dock é o nome que se dá para o período de manutenção de um navio. É quando ele fica no estaleiro, completamente sem água para reparos, reformas, revisão

http://vidadetripulantes.blogspot.com/2009/07/dry-docks-costa-crociere.html?m=1

** Bunker é, tecnicamente, o combustível utilizado no motor de um navio. É viscoso e tem alto teor de enxofre devido a sua composição, uma mistura entre óleo combustível e óleo diesel, e deve ser capaz de trabalhar sob alta pressão sem que suas utilidades, ou estrutura molecular sejam afetadas, causando perda de potência no motor da embarcação.

https://portogente.com.br/portopedia/75307-bunker

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