Cultura empresarial não está apenas nos valores escritos nas paredes ou no discurso dos líderes: ela se revela nas decisões, nos comportamentos e na forma como as pessoas trabalham todos os dias. Foi a partir dessa provocação que a Allog abriu o segundo dia da 10ª edição da Semana Cultural Allog, com a palestra “Cultura não é discurso, é estratégia!”. O tema foi abordado por Fabio Pedro de Souza, Sócio Fundador da DON, Coach & Trainer especializado no desenvolvimento de profissionais e no Pipeline de Liderança de organizações.

Em um ano marcado pela celebração dos 25 anos da Allog, o evento reúne colaboradores em torno de troca de conhecimento sobre temas que fazem parte do dia a dia da logística internacional. No encontro, Fabio provocou os colaboradores a olhar para a cultura para além de conceitos. Segundo ele, cultura é formada pelos padrões de comportamento que são encorajados, desencorajados ou tolerados por pessoas e sistemas ao longo do tempo.
Na prática, esses padrões da cultura empresarial aparecem em diferentes aspectos da rotina corporativa, muitas vezes por meio de mensagens não verbais. Modelos de reuniões, processos de planejamento e orçamento, estruturas organizacionais, relatórios e até símbolos utilizados pela empresa comunicam, de forma silenciosa, aquilo que é valorizado dentro de uma organização.
A cultura empresarial, explicou o palestrante, pode ser compreendida a partir de três níveis: atributos culturais, padrões de comportamento e padrões de crenças e valores. É nessa última camada que estão os modelos mentais que orientam decisões e atitudes. Para Fabio, não existem necessariamente crenças certas ou erradas, mas crenças limitantes ou potencializadoras, influenciando diretamente a forma como as pessoas enxergam desafios e oportunidades de crescimento.

Cultura empresarial: impacto direto nos resultados
A palestra também apresentou dados que mostram como cultura e resultados empresariais estão diretamente relacionados. De acordo com levantamentos da Gallup, apenas cerca de 20% dos profissionais no mundo estão efetivamente engajados com o trabalho. O baixo engajamento representa um impacto estimado em US$ 10 trilhões em perda de produtividade global.
Outro ponto destacado foi o papel da liderança. Segundo estudos da mesma organização, aproximadamente 70% do engajamento de uma equipe está relacionado diretamente à liderança imediata. A relação ajuda a explicar por que a cultura não pode ser dissociada da maneira como líderes conduzem equipes, tomam decisões, dão feedbacks e reconhecem comportamentos.
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Os números apresentados também apontam uma relação entre equipes engajadas e desempenho. Pesquisas indicam ganhos de até 21% em produtividade e lucratividade, além de melhora de 17% na produtividade operacional.
O desafio de crescer sem perder a identidade
Outro alerta trazido por Fabio foi o descompasso entre crescimento operacional e evolução cultural. Dados da Deloitte mostram que 82% dos executivos consideram que a cultura impacta diretamente o sucesso dos negócios, mas apenas 28% acreditam que suas empresas estão preparadas culturalmente para os desafios atuais.
Nesse contexto, temas como burnout e desconexão também são focos da atenção das empresas. Segundo os dados apresentados durante a palestra, 48% dos trabalhadores relatam esgotamento, índice que chega a 53% entre gestores. O chamado quiet quitting, expressão utilizada para definir profissionais que permanecem fisicamente presentes, mas emocionalmente desconectados do trabalho, também é citado como um reflexo de problemas de conexão com a cultura.

Ao encerrar a reflexão, o encontro reforçou a ideia central da palestra: cultura não deve ser apenas aquilo que uma empresa diz que valoriza, mas aquilo que efetivamente acontece dentro dela. “E, quando está alinhada a valores e estratégia, pode deixar de ser apenas um elemento da identidade corporativa para se transformar em uma vantagem altamente competitiva”, conclui Fabio.

