Dia da Aviação: o modal aéreo sob o olhar delas

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Desde que o brasileiro Santos Dummont colocou seu 14-Bis a uma altura de 25 metros em um voo oficial em Paris, no dia 23 de outubro de 1906, o mundo mudou completamente. O avião, essa “geringonça” de asas que pode pesar até 300 toneladas e voa a uma altitude média de 10 mil metros, é considerado, até hoje, uma das invenções mais fantásticas do mundo moderno.

Exatos 116 anos depois que o voo de Dummont estarreceria o mundo e mudaria para sempre a história da logística, o universo da aviação continua sendo um território mágico, onde pessoas de diferentes capacidades técnicas e operacionais convergem para uma só missão: colocar centenas e centenas de aviões no ar em perfeita sintonia e segurança.

Uma bagunça organizada, diriam alguns. Um novelo de linhas que nunca se chocam, diriam outros.

Este universo, que até a década de 1970 era praticamente dominado por homens, hoje é território também de profissionais mulheres, responsáveis pela gestão logística de pessoas e de cargas ao redor do mundo.

No Dia da Aviação, 23 de outubro, o Grupo Allog traz um pouco do olhar e da percepção de 6 mulheres que construíram suas carreiras em torno do modal aéreo e são absolutamente apaixonadas pelo que fazem.

Com a palavra, elas!

– Silvia Helmer (Lufthansa)

“Desde o início da minha vida profissional, a ligação com modal aéreo é marcante. Após passar pelo departamento de importação aérea da Schenker do Brasil, fui contratada pela Mercedes Benz para cuidar dos embarques aéreos de partes e peças. Ainda na Mercedes Benz, fui transferida para o departamento de Exportação, onde tive maior contato com a realidade do transporte marítimo. Nesta época, tive também a oportunidade de trabalhar por 6 meses na matriz da Daimler Benz, em Stuttgart-Vaihingen, na Alemanha.

Dia da Aviação
Silvia Helmer

Após um hiato de 3 anos, quando me mudei com meu marido para o Rio de Janeiro e tivemos nossos primeiros 2 filhos, Gabriela e Nicholas (Manuela, nossa “temporã”, veio 10 anos mais tarde), comecei a trabalhar na Lufthansa Cargo AG, como assistente administrativa da diretoria da América Latina. Sempre tive o sonho de trabalhar na Lufthansa. Quando era criança sempre pensava que, quando eu crescesse, queria trabalhar lá para usar aquele uniforme lindo azul marinho com lenço amarelo no pescoço. Realizei parte do meu sonho: trabalho na empresa, mas nunca usei o uniforme! Ao longo dos anos fui acumulando a responsabilidades de outras regiões e, atualmente, sou responsável pelos clientes de quase todo os Brasil.

Sempre me identifiquei com a agilidade e alcance do modal aéreo, além do contato com diferentes partes do mundo. O que mais me fascina é conciliar as limitações e os recursos das aeronaves para embarcar cargas complicadas e desafiadoras para o modal aéreo.

Minha missão é identificar e trazer novos negócios para a empresa, através de bloqueios de espaços e negociação de tarifas para embarques regulares. No dia-a-dia, estou sempre muito envolvida nas cotações e resolvendo as questões de reservas e problemas que surgem. Também auxilio os clientes na utilização de nossas ferramentas disponíveis em nosso portal lufthansa-cargo.com.

A pandemia trouxe desafios nunca antes imaginados para o segmento. Literalmente, de um dia para o outro, deixamos de operar perto de 98% da frota passageira. No universo da Lufthansa Cargo, isto significou 50% a menos de capacidade disponível, já que conseguimos manter nossa frota cargueira operando.  Apesar de todas as cias aéreas terem retomado boa parte ou integralmente suas operações, vemos uma demanda bastante aquecida no modal aéreo. Isto deve-se muito aos gargalos que o setor marítimo ainda sofre.

A Lufthansa Cargo acredita na continuidade do crescimento, tanto que o grupo anunciou recentemente a expansão da capacidade da frota de cargueiros, encomendando um total de 10 novas aeronaves B777F. Além disso, o crescimento do eCommerce deve continuar se desenvolvendo e trazendo mais embarques para o modal aéreo.

Na minha opinião, temos dois desafios primordiais pela frente: a digitalização e a sustentabilidade. Impossível imaginar um futuro sem estes dois pilares. O cliente quer um serviço cada vez mais rápido e de fácil acesso e estamos incentivando os agentes a migrarem para a emissão do conhecimento aéreo eletrônico, o eAWB. Para aqueles que não possuem plataforma própria, oferecemos em nosso portal o “eAWB Data Capture”, sem custo algum, para a emissão do AWB eletrônico. Também já oferecemos a eDGD, que é a Shipper’s Declaration de cargas perigosas eletrônica e disponibilizamos o pre-check eletrônico dos embarques cargas restritas. Em Frankfurt, já oferecemos terminais de autoatendimento, onde é possível notificar a entrega da carga de exportação através de totens, fazendo um check-in rápido e evitando o processo de balcão.

Quanto à sustentabilidade, temos uma preocupação constante e crescente com o meio-ambiente, por isso estamos nos esforçando para atingir 100% de neutralidade de CO2 no transporte aéreo. Para tanto, oferecemos a nossos clientes a escolha de poder reduzir as emissões de CO2 dos seus embarques, através do serviço Add-on “Sustainable Choice”, que está disponível em todas as rotas com segmento cargueiro. Este “add-on” nos possibilita a compra de combustível sustentável de aviação produzido, por exemplo, a partir de óleos vegetais e de cozinha cultivados de forma sustentável ou recicláveis.”

– Claudia Mariana de Oliveira Alexandre (Latam)

“Comecei a atuar no modal aéreo há 12 anos, quando fui indicada por um amigo para a área de contact center da então ABSA Cargo. Um ano depois, fui convidada para integrar a equipe de vendas da Latam, que é onde estou até hoje. A aviação é fascinante e me dá muito orgulho trabalhar em uma companhia tão importante em seu segmento.

O comércio exterior nos traz uma rotina muito intensa, estamos sempre correndo contra o tempo. Cada quilo e cada embarque importa, e fazer que cada cliente se sinta importante é um desafio diário.

Trabalho com prospecção de clientes via fone e e-mail, com conquistas de novos negócios, tenho como atividade analisar e aplicar preços convenientes para cada tipo de carga e mercado. Tenho grande conhecimento na formação de frete, mediante análise das características da carga, incluindo dimensões, volume, peso e ocupação.

Vivemos em um momento de altíssima demanda de exportação no Brasil, mas eu acredito que sim, ainda há chances de crescimento. O país tem se tornado cada vez mais importante em diversos tipos de commodities para o mundo todo.

Além de um atendimento personalizado, o cliente precisa se sentir parte da companhia. Deve ser ouvido e saber que suas necessidades serão atendidas a partir do momento que ele contatar a companhia aérea. O cliente precisa ter atualizações constantes de seu embarque, um tracking efetivo.”

– Fernanda Domingos (Air Canada)

“Iniciei no mercado aéreo em 2012, logo após a conclusão da minha faculdade, quando tive a oportunidade de me descobrir nesta área que, até pouco tempo atrás, era tão masculino. Nossa rotina não é das mais calmas e previsíveis, mas é gratificante ver o fruto do nosso trabalho sendo exemplo para os que chegam.

Acredito que nós, mulheres do Comex, sentimos uma sensação de “adrenalina de iniciante” todos os dias em que iniciamos nosso trabalho. Nenhum dia é igual ao outro, cada cliente tem suas especificidades e isso faz com que aprendamos mais com cada um. Cada voo, cada carga e cada cliente faz parte não só da minha rotina de trabalho, mas do meu convívio social.

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Minha expectativa é que os próximos anos sejam ainda mais competitivos e crescentes para os movimentos de importação e exportação em nosso país. Mesmo em período de pandemia, os brasileiros não perderam o que é mais importante em todas as áreas: a esperança em algo melhor. Que venha os próximos anos para continuarmos conquistando o mundo. Para aprimorar o atendimento ao cliente no modal aéreo, eu acredito em alguns valores básicos: respeito, reciprocidade, clareza de informações, organização, rapidez no atendimento e amor ao que fazemos.”

– Larissa Goulart (ECS)

“Iniciei minha atuação no modal aéreo há 5 anos e, desde então, todos meus dias são movidos por muito dinamismo e paixão pela logística internacional. Sou formada em Relações Internacionais e pós-graduada em Gestão Estratégica de Negócios. Atualmente, sou gerente de Relacionamento e Experiência ao Cliente na BCS Air.

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Larissa Goulart

Sempre me interessei pelo comércio e negociações entre os países e na importância da logística internacional no abastecimento da cadeira de suprimentos global. Com o passar do tempo adquiri grande interesse na aviação comercial e o transporte aéreo de cargas foi uma junção perfeita entre ambos. O que mais me motiva é estar em um mercado onde tudo se atualiza e se modifica diariamente, o que me faz aprender coisas novas todos os dias e buscar me adaptar às mais diversas situações.

Sou responsável pelos setores de inside sales, customer service e relacionamento com as companhias aéreas. Minha rotina se baseia em estar em contato com as agências de cargas, companhias aéreas, equipes operacionais nos aeroportos e gerir os colaboradores, que são quem, de fato, fazem a mágica acontecer. Meu dia-a-dia é sempre muito dinâmico e preciso atuar rapidamente mediante as demandas.

Nos últimos dois anos, estamos trabalhando com um alto nível de instabilidade. No começo da pandemia passamos por um período de constantes alterações do network das cias áreas, incremento da oferta de cargueiros, diminuição da oferta de voos pax e o surgimento dos pax-freighters, que auxiliaram muitas cias aéreas a manterem suas operações mesmo sem passageiros.

Com o passar do tempo, essas inconstâncias diminuíram e a capacidade das cias áreas está cada dia mais próximo ao normal, porém ainda com capacidade reduzida. A alta demanda de passageiros está favorecendo esse incremento de capacidade, uma vez que faz com que as companhias aéreas analisem a possibilidade de aumentar sua malha, caso seja rentável. Na minha visão, o setor de carga aéreas tende a se normalizar com o passar do tempo, porém, será um processo bem moroso.”

– Paula Brito (Representa a Avianca no Brasil)

“A partir do momento que se entra pela porta de um aeroporto, existe um universo que é ‘mágico’, onde encontramos uma ramificação de atividades e entidades públicas e privadas.  Universo esse que foi conquistado por mulheres, mecânicas, atendentes, comissárias, pilotos, supervisoras, gerentes. Eu vi esse universo feminino crescer. Mulheres essas que, além de profissionais, são mães, dirigentes de famílias e guerreiras e que, no fundo, também têm objetivos em comum.

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Paula Brito

Comigo não foi diferente. Em 2002, iniciei em uma companhia aérea atendendo voos de passageiros. Com o tempo, ampliei meus conhecimentos e fui promovida a supervisora de aeroporto. Mudei de companhia e, em 2009, fui convidada para trabalhar com carga internacional. Confesso que foi um desafio, pois carga é um local de grande público masculino, já que inclui paletizar e carregar avião. Mas nem tudo é força! Há muitas coisas que é jeito e conhecimento.

Eu brinco dizendo que aviação me escolheu. Meu pai trabalhou em uma grande companhia aérea e o destino me levou até a aviação. Atendo voos de procedência de MIA/MAO/BOG. A cada dia, temos desafios diferentes que nos fazem buscar mais e mais o entendimento de todo o meio. Somos responsáveis, principalmente, pela parte documental da importação. Também somos responsáveis pela preparação da carga de saída, paletização, informações dos órgãos responsáveis, verificação dos procedimentos de segurança e de todo o processo de preparação desta aeronave.

Olhem para os países mais desenvolvidos e percebam a quantidade de voos recebidos nesses aeroportos. Um avião não leva só carga ou passageiros, leva desenvolvimento. Precisamos evoluir e rever, principalmente, a legislação para tornamos o modal mais eficiente e competitivo. O diferencial que busco diariamente é tentar maximizar a experiência do cliente ao contratar nossos serviços através da personalização, entendendo as demandas e buscando soluções eficazes, afinal, mesmo se tratando de um negócio B2B, são pessoas lidando com pessoas.”

– Sabrina Tancredo (Cathay)

“Comecei a atuar no mercado de aviação em 1998, na Variglog, quando fiz vários cursos de atendimento, sistema, armazém, cargas perigosas, paletização. Foi um ótimo aprendizado. Devo confessar que cai de paraquedas na área de Comex. Entrei na Varig para um estágio. Fazia faculdade de Publicidade e Marketing e acabei amando. O que me identifico mais é o dinamismo do negócio e a possibilidade de nos comunicarmos e criarmos o tempo todo.

Meu dia a dia inclui visitas a clientes, desenvolvimento de novas rotas e logística e responder emails, Bids, cotações e projetos. Também desenvolvo parcerias com companhias aéreas e aeroportos, além de viagens e contato com clientes e com nossas bases de conexão e destinos.

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Sabrina Tancredo

Eu acho que os próximos anos serão de recuperação por conta da pandemia.  Vemos que as companhias aéreas estão recomeçando com muita força, porém, o prejuízo por conta das aeronaves sem atividade impactou o mercado de comércio exterior, o que me faz acreditar que serão alguns anos de recuperação e pequeno crescimento.

Para aprimorar o atendimento neste modal, acredito que, primeiramente, precisamos estar atualizados com as ferramentas de atendimento ao cliente, além das informações de mercado, concorrência, novas operações, mercado econômico e político. Também acredito que o atendimento personalizado do cliente, conhecendo seu modo de operar, faz toda a diferença.”

>>> Leia também – Mulheres no Comex: Tatiane Andreolla e sua carreira múltipla no Comércio Exterior.

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