Segurança logística entra no radar estratégico das empresas

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Na logística, uma carga roubada representa muito mais do que a perda de um produto. O impacto se espalha pela cadeia: compromete prazos, aumenta custos, afeta contratos, pressiona seguros, prejudica a reputação das empresas e pode colocar em risco a continuidade da operação. A segurança logística deixou de ser apenas uma preocupação operacional e passou a ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas.

Esse foi um dos principais pontos abordados por Fabio Barbosa, diretor geral para a América Latina da Engtex AB, no primeiro dia da Semana Cultural da Allog, que em 2026 chega à sua 10ª edição. Promovida pelo Grupo Allog, que completa 25 anos de fundação, o evento é uma iniciativa voltada aos colaboradores e busca ampliar conhecimentos e aproximar o time das principais transformações e desafios do mercado logístico.

Em três dias de programação, convidados compartilham conhecimentos e contribuem para uma agenda de conexão com o mercado. Com o tema “Segurança Logística”, Fabio colocou em discussão dados que ajudam a dimensionar o problema. Isso incluiu questões ligadas a roubo de cargas, prevenção de perdas, atuação de quadrilhas organizadas e novos desafios do setor. Segundo os números compartilhados no encontro, o Brasil registrou mais de 10 mil ocorrências de roubo de cargas em 2024. A região Sudeste concentrou 87,4% dos casos, enquanto a região Sul respondeu por 5,7%.

Semana Cultural - segurança

O transporte rodoviário foi o principal modal afetado, com 96% das ocorrências. Além dos números, o especialista trouxe relatos de casos reais e chamou atenção para a atuação de quadrilhas especializadas, principalmente em cargas de produtos como eletrônicos e medicamentos.

Prevenção na cadeia de suprimentos

Para Fabio, a prevenção precisa acompanhar toda a cadeia de suprimentos. Uma operação pode contar com rastreamento, auditorias e tecnologia de ponta, mas ainda estará exposta se houver falhas de processos ou vulnerabilidades. “O fator humano atrapalha muito”, destacou o especialista ao abordar situações em que pessoas infiltradas ou falhas no acompanhamento de parceiros podem comprometer uma operação aparentemente segura.

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Outro ponto abordado foi a contaminação de cargas, quando organizações criminosas utilizam operações legítimas para inserir drogas ou outros materiais ilícitos em contêineres. Além de representar uma ameaça à segurança, esse tipo de ocorrência gera impactos financeiros, jurídicos e reputacionais.

Semana Cultural - segurança

Tecnologia como aliada

O avanço tecnológico tem ampliado as possibilidades de prevenção. Fabio citou o uso crescente de câmeras em caminhões, rastreamento, inteligência artificial e drones como ferramentas que complementam as estratégias tradicionais de segurança. O Brasil, segundo ele, também se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias voltadas à prevenção de roubos e furtos de cargas. O país tem hoje a maior frota de caminhões rastreados do mundo. “Uma expertise que nasceu, em grande parte, da necessidade de enfrentar uma realidade de alto risco e que hoje também gera soluções utilizadas em outros mercados”, cita.

Em sua atuação profissional, o executivo acompanha ainda o desenvolvimento de novas tecnologias de proteção física, como tecidos resistentes a cortes, que já despertam o interesse de empresas de transporte. A discussão reforçou uma mudança importante na forma de enxergar a segurança. Prevenir perdas não significa apenas proteger uma carga, mas preservar valor e aumentar a previsibilidade de toda a operação.

“Investir em segurança passa a ser também uma decisão econômica. Afinal, o custo de uma ocorrência pode ir muito além do valor da mercadoria, envolvendo interrupções e impactos no relacionamento com clientes”, explica.

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Sobre Fabio Barbosa

Com mais de 30 anos de experiência em segurança, supply chain, logística e desenvolvimento de negócios, Fabio Barbosa é diretor geral para a América Latina da Engtex AB. Na empresa, lidera a expansão regional das soluções de proteção da empresa, incluindo o portfólio Avertic Armour®. Ao longo da carreira, desenvolveu experiência em segurança da cadeia de suprimentos, segurança corporativa, cibersegurança, prevenção de perdas e investigação de fraudes. Também prevenção à falsificação e gestão de crises. Atua ainda como diretor de Prevenção de Perdas na ABINEE, Secretário do OSAC Brasil e participa de associações ligadas às áreas de segurança e logística.

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