Grandes grupos portuários pagam prêmio alto pelo Brasil

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A compra da TCP, empresa que opera o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), pela China Merchants Port Holdings por um múltiplo de 14 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) é um emblema de que as grandes companhias globais estão de olho no Brasil. E estão pagando alto para entrar.

A gigante chinesa, com dezenas de terminais espalhados pelo mundo, mas concentrados especialmente na China, pagou R$ 2,9 bilhões por 90% das ações da TCP. Único terminal de contêineres do Estado do Paraná, o TCP é hoje o quarto do país em movimentação – atrás do Tecon Santos, da Brasil Terminal Portuário (ambos no porto de Santos), e da Portonave, em Navegantes (SC). O empreendimento foi avaliado em R$ 4,1 bilhões – sendo R$ 3,2 bilhões por 100% das ações mais R$ 900 milhões de dívida -, o que dá o múltiplo de 14 vezes o Ebitda, bem acima do padrão mundial para portos, de 10.pagam

Mesmo a compra da fatia de 50% da Triunfo Participações e Investimentos (TPI) na Portonave, que precisou se desfazer de seu negócio mais líquido às pressas para quitar uma dívida, foi considerada bem-sucedida. A TPI recebeu R$ 1,3 bilhão da sócia Terminal Investment Limited (TIL), valor que não inclui os R$ 200 milhões de dívida da participação da TPI no negócio. Tudo somado, foi um múltiplo de Ebitda de quase 11 vezes.

O tíquete alto, avaliam especialistas, se deve a um conjunto de fatores. O primeiro é que os ativos brasileiros estão baratos, reflexo da crise e do câmbio. A Santos Brasil, maior operadora brasileira de terminais, encerrou o pregão de ontem valendo R$ 2,05 bilhões no mercado – muito pouco diante do seu histórico, resultado do preço da ação que caiu muito, refletindo as margens ruins do grupo nos últimos anos. Mas nos últimos 30 dias o papel reverteu a tendência de queda e acumula alta de 50%.

Tendo no portfólio o Tecon Santos, o maior e um dos mais eficientes terminais de contêineres do país, além de outros terminais menores, a Santos Brasil surge como candidata natural no radar dos grandes grupos.

Além da questão interna, as empresas que atuam em escala global nos negócios de navegação e portos estão em expansão internacional e querem estar posicionadas no Brasil. Isso contempla um processo mundial de verticalização de armadores, que querem ter seu próprio terminal. No caso da China Port, trata-se de um conglomerado de operação de portos. Mas que, com atuação global, tem como negociar em escala internacional com as linhas de navegação para atrair navios para seus portos.

Com o negócio no Brasil, a asiática desembarca na América Latina, o que reforça os motivos por ter pagado um prêmio para entrar no Brasil. Conforme mostrou reportagem publicada pelo Valor na semana passada, dos seis principais terminais de contêineres do país, três estavam em negociação ou vendidos: a Embraport, para a sócia DP World, a Portonave, e o TCP.

Outras grandes de portos – PSA International, Hutchison, DP World e Cosco – chegaram a fazer oferta pela TCP. “Essas empresas estão numa expansão mundial, vem mais por aí”, diz uma fonte do setor.

Fonte: Valor

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