Israel e Palestina: como a guerra afeta o mercado global

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O conflito na região de Israel e Palestina ocorre há décadas e, recentemente, a tensão entre os países desencadeou em uma guerra, desta vez com o primeiro ataque sendo do grupo extremista Hamas contra Israel. Segundo Bruna Pagarine, estudante de Relações Internacionais da Unilasalle, desde o início do conflito, a sociedade internacional está atenta aos seus acontecimentos. Isso tanto nas questões securitárias quanto econômicas.

Boa parte da economia israelense é baseada em exportações, fazendo com que Israel participe ativamente do comércio mundial. De acordo com Brenda Souza, estagiária da Allog, o comércio internacional de Israel busca sempre a inovação. Ele consiste na negociação de produtos tecnológicos e de alto valor agregado, bem como equipamentos eletrônicos, hardware, software, energia solar, entre outros. Seus principais parceiros comerciais são, respectivamente, Estados Unidos, União Europeia e China, além do restante do continente asiático.

Israel e Palestina

Por possuir um clima desértico, Israel tem dificuldades na área da agricultura. Logo, os principais produtos importados são açúcar, soja e carne, sendo o Brasil um dos fornecedores. Nas relações comerciais entre Brasil e Israel, que cresceram significativamente nos últimos 5 anos, cerca de 2% das exportações de Israel se destinam ao Brasil. Entretanto, ainda que a economia israelense seja avançada, de acordo com a rede de TV CNN, 27,7% dos israelenses estavam abaixo da linha da pobreza. Este número, aliás, cresceu 14,9% após a pandemia da Covid-19.

Impactos da guerra Israel e Palestina no comércio

Já na Palestina, Brenda explica que a principal renda é a ajuda internacional, visto que não é considerada um Estado propriamente dito. Além disso, alguns países como Líbano, Irã e Iraque realizam comércio com a região, pois a agricultura é bastante forte por conta do cultivo de azeitonas, frutas, vegetais e vinho.

Para o comércio internacional, há um risco iminente caso algum país ao redor adentrar na guerra. Isso porque Irã, Iraque e Libano são alguns dos principais exportadores de petróleo para o resto do mundo. Como consequência, o comércio internacional petrolífero poderá sofrer uma crise, afetando o restante do mundo. Isso porque a maioria dos países ainda utiliza petróleo como uma das principais fontes de energia.

Mas, e como isso afeta o Brasil? Além da possível crise petrolífera prejudicar o Brasil, o que causaria um aumento mundial no valor do petróleo e, consequentemente, na Petrobras, o valor interno da gasolina e outros produtos como gás de cozinha e diesel, aumentaria consideravelmente. De acordo com Isadora Gross Fortes, estudante de Relações Internacionais da Unilasalle, a relação que o país tem tanto com Israel, quanto com a Palestina é antiga, incluindo trocas comerciais, culturais e de ajuda humanitária.

>>> Leia também – Seguro de carga internacional: 7 perguntas importantes 

É importante destacar a existência de um Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul firmado em 2007. Esse acordo representou um marco, já que Israel se tornou o primeiro parceiro extra-regional do bloco. Em 2008, o valor das transações entre as partes já havia ultrapassado a marca de US$ 1,5 bilhão. Além disso, em 2011, foi assinado o Acordo de Livre Comércio entre Palestina e Mercosul, porém, esse acordo nunca chegou a entrar em vigor.

Possível aumento nos custos

Os principais itens que o Brasil mais importa de Israel são produtos tecnológicos. Sob o ponto de vista brasileiro, é de suma importância que o conflito encerre para que as exportações para Israel de carne bovina, soja e milho, além de produtos de empresas privadas, continuem a ser operacionalizadas. Segundo Brenda, da mesma forma em que ocorreu no início do conflito entre Rússia e Ucrânia, pode haver aumento dos custos no setor agrícola brasileiro, pois Israel também é um dos principais exportadores de fertilizantes para o Brasil, especificamente de cloreto de potássio. No ano de 2022, a importação brasileira de fertilizantes israelenses compreendeu 4,4% de toda a compra externa do produto.

Caso haja a extensão do conflito, pode haver impactos sobre o comércio global, que naturalmente atingirá o Brasil em um efeito de spill-over, principalmente caso os países adotem mais medidas protecionistas. É por este motivo, segundo Hiran Ramos, estudante de Relações Internacionais da Unilasalle, que a diplomacia brasileira é extremamente essencial para trabalhar na resolução rápida do conflito. Logo, é do interesse brasileiro que, além da estabilidade geopolítica e da promoção da paz, a economia internacional se mantenha equilibrada e supere a recessão.

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