Alex Oliveira: 3 décadas de caminhada pela logística internacional

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“Para crescer na vida é preciso trabalhar duro desde cedo”. A mensagem do pai – um operário metalúrgico que atuava nas indústrias de Porto Alegre (RS) – foi sempre muito clara para o empresário Alex Oliveira. A expectativa paterna o impulsionou para uma primeira experiência ainda na infância. Com uma caixa de isopor, ele saiu, aos 12 anos, para vender picolé pelas ruas de Cachoeirinha, cidade onde morava na Grande Porto Alegre.

Na adolescência, chegou a auxiliar em pequenas obras do seu bairro e ajudava a mãe no trabalho de casa em troca de algumas moedas.

Depois de uma rápida experiência em uma loja de aquários e peixes, Alex conseguiu seu primeiro emprego formal, aos 15 anos: office boy na Comissária Eichenberg LTDA, uma empresa referência no mercado aduaneiro da década de 1990 e que acabou virando a sua primeira grande escola no segmento de Comex. “Ali foi o início de tudo. Meu primeiro emprego formal, minhas primeiras referências sobre qualidade e excelência, meus primeiros ensinamentos sobre a área da logística”, cita.

Alex Oliveira

Neste último dia 6 de outubro de 2023, o fundador do Grupo Allog – empresa referência no transporte e agenciamento de cargas no Brasil – completou 30 anos de carreira com carteira assinada. E orgulha os pais que o ensinaram que era “preciso trabalhar duro e desde cedo”.

Nesta breve entrevista para o Blog da Allog, Alex Oliveira conta um pouco sobre estas três décadas de caminhada pela logística internacional e alguns ensinamentos que acumula deste período. Confira os principais trechos:

Blog da Allog: Quem foram os teus principais incentivadores na carreira?

Alex: Meus pais e meus tios começaram a trabalhar muito cedo. Meu pai conta que parou de estudar aos 9 anos, na terceira série do Ensino Fundamental. Ele deixou a escola para ajudar em casa. Naquela época, a forma de sobrevivência era trabalhar, algo quase cultural. Na minha infância, meu pai era soldador numa metalúrgica e minha mãe era auxiliar de produção na Martau, uma empresa que fabricava ventiladores de teto em Cachoeirinha (RS). Portanto, assim que crescemos um pouco, ele começou a nos orientar para o trabalho.

Blog da Allog: Você tem trazido esta referência para os teus filhos? De que é preciso começar a trabalhar desde muito cedo para “ser alguém”?

Alex: Hoje eu consigo perceber que o meu pai queria que eu fizesse o mesmo que ele fez quando tinha a minha idade. Eu o entendo: trabalhar desde muito cedo era a prioridade na família. Enquanto pai, estou aprendendo que não adianta eu querer que meus filhos façam exatamente o que fiz, como eu fiz e na idade que fiz. Tenho clareza de que eles são eles e eu sou eu, cada um com sua história. Mas claro que desejo que sejam trabalhadores, estudem, tenham realizações dentro das escolhas profissionais que fizerem.

Blog da Allog: Como foram tuas primeiras experiências no mundo do trabalho?

Alex: Na adolescência, eu e meus amigos estávamos dispostos a ajudar no que fosse preciso. Uma vez cheguei a vender picolé nas ruas do meu bairro e, quando aparecia alguma oportunidade em uma obra de construção, descarregávamos tijolos para ganhar uns trocados. Um dia, meu padrinho conseguiu para mim um emprego de serviços gerais em uma loja de peixes ornamentais e aquário, onde fiquei por pouco tempo, acredito que pelo fato de ser ainda muito jovem e por não ter me identificado com o ambiente de trabalho da empresa.

Blog da Allog: E quando foi a primeira carteira assinada?

Alex: No dia 6 de outubro de 1993. Eu tinha 15 anos e fui ao CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), onde me indicaram a uma empresa para fazer entrevista. Chegando no lugar, encontrei um prédio bonito, bem estruturado e com uma equipe grande trabalhando. Fiquei impressionado. No entanto, estava situado em um bairro bem longe da minha casa. Entrei, meio contrariado por causa da distância, fiz a entrevista e fui selecionado para trabalhar na Eichenberg, uma comissária de despacho com décadas de história e referência no segmento. Comecei como office boy nesta empresa em que um dos diretores, o senhor Julio Santana, o qual se não me engano também tinha começado como office boy. E aquilo alimentava os meus sonhos. Fiquei três anos e meio na companhia, de onde saí assistente de exportação. Foi um laboratório e uma referência para mim.

Blog da Allog: Por que você saiu da Eichenberg?

Alex: Eu tinha 18 anos e fui indicado por um dos clientes da comissária de despacho para uma vaga no setor de exportação de um agente de cargas. Lá, fui contratado para ajudar a desenvolver o Departamento de Exportação da empresa por ter alguma experiência na área. Meus pais não queriam que eu saísse da Eichenberg, uma empresa sólida e que representava a possibilidade de uma carreira promissora. Decidi ir mesmo assim pois via oportunidade para crescer e me desenvolver profissionalmente. Fiquei um ano e meio lá e então fiquei inclinado a abrir a minha empresa em parceria com um amigo que também trabalhava no setor.

Blog da Allog: E conseguiu abrir o negócio?

Alex: Não, pois me faltou coragem. Um ex colega de trabalho estava de mudança para Joinville (SC) para abrir uma empresa de agenciamento de cargas na cidade e me convidou para ser gerente de exportação. Nesse mesmo tempo ele havia convidado também a Luciana, que hoje é minha esposa, para ser gerente de importação. Depois de um período em Joinville, aceitei um convite para trabalhar em Itajaí (SC). Por alguns meses, ia e voltava de Joinville todos os dias até que viemos em definitivo para a cidade. Passado algum tempo, senti que estava na hora de tentar o meu próprio negócio.

Blog da Allog: E deu certo desta vez?

Alex: Era 2001 e a Luciana estava grávida do nosso primeiro filho. Entendi que aquela era a hora de eu tentar realizar o sonho de ter a minha empresa. Fiz as contas sobre o quanto precisava por mês para sobreviver: R$ 3 mil, entre os custos gerais da empresa, nossos custos pessoais e de moradia, além das necessidades do bebê. Fomos atrás de uma sala comercial para montar a empresa e a encontramos no edifício Genésio Miranda Lins, o famoso “edifício redondo” do centro de Itajaí. Lembro bem dos valores do custo fixo de R$ 150 de aluguel e R$ 21 de IPTU, condomínio, taxa de lixo e internet, uma realidade bem diferente dos custos atuais, pois hoje em dia é tudo muito caro e o mercado mais difícil e concorrido. Na época, vendi meu carro por R$ 30 mil, comprei outro por R$ 15 mil e com os R$ 15 mil restantes fiz o planejamento para sobreviver com este dinheiro. Com todas essas economias, tínhamos pelo menos 5 meses garantidos, caso nada desse certo. Em dezembro de 2001, abríamos a Allog. Não me esqueço de quando estávamos iniciando a montagem do escritório, eu vi uma Fiorino abandonando uma mesa em um terreno baldio em frente ao McDonald’s, próximo de onde eu morava. Não contei tempo e fui lá resgatar o móvel. Dei uma envernizada na peça e a coloquei na primeira sede da Allog. Virou um ícone simbólico na história da empresa: um dos nossos segredos é o pé no chão desde o início.

Alex Oliveira

Blog da Allog: Você ainda lembra do primeiro embarque da recém criada Allog?

Alex: Nosso primeiro trabalho foi um desembaraço aduaneiro de seis contêineres de importação de resina para o cliente Inplac. Após meu contato comunicando a abertura da Allog, muitas empresas que atendi desde a minha chegada em Santa Catarina passaram a cotar nossos serviços para ajudar naquele início. Entrei em contato com a Allink para propor uma parceria de representação, com o objetivo de movimentar mais cargas em Santa Catarina. Em abril de 2002, fui para a Intermodal conhecer a direção nacional da Allink. Lá, o Nelson Cajado me convidou para abrir a filial deles no Estado para vender exclusivamente carga consolidada. No primeiro momento, achei que seria impossível tocar as duas empresas, pois teria que me dedicar integralmente para a Allink. No entanto, me deram a possibilidade de continuar com a Allog, que ficaria sob a gestão da Luciana, em paralelo ao meu trabalho com carteira assinada. Trinta dias depois, eu inaugurava um escritório da Allink em Itajaí, onde fiquei por 5 anos como gerente em Santa Catarina. Tornamos a empresa referência em carga LCL no Estado, além de ajudar também o mercado do Paraná e Rio Grande do Sul. Enquanto isso, a Luciana conduzia a Allog, juntamente com a minha irmã Andréia que trabalhava com a parte financeira.

Blog da Allog: Em que momento você decidiu dedicar-se exclusivamente para a Allog?

Alex: Depois deste período, senti que era a hora de fazê-la crescer em diferentes frentes de atendimento. Em 2006, combinei minha saída da Allink com seis meses de antecedência para iniciar a transição e comecei definitivamente na minha empresa em 1º de janeiro de 2007. Na primeira semana daquele ano, a Ciser pediu cotação para importação de carga full contêiner da China. Éramos em apenas 5 pessoas. Em 2008, juntou-se como primeiro sócio o Anderson Venâncio (atual CEO da Allog) e abrimos a primeira unidade fora de Itajaí, a Allog Campinas. Dois anos depois, em 2010, abrimos a Allog Porto Alegre em sociedade com Eduardo Meira. Em 2015, já com quase 100 colaboradores, elaboramos nosso primeiro planejamento estratégico. Em 2021, o segundo.

Blog da Allog: Neste tempo, você acha que ressignificou o propósito da tua carreira e da tua empresa no Comex?

Alex: Depois de 22 anos à frente de uma empresa com o crescimento que a Allog tem, entendo que, além de colaborar com o desenvolvimento do próprio mercado da logística internacional, nosso propósito está em compartilhar nossos valores, desenvolver pessoas, apoiar projetos com significado, investir para deixar o mundo melhor do que ele está. Embora tenhamos um amplo projeto de responsabilidade social aqui na Allog, a gente ainda deve muito à sociedade. Temos responsabilidades gigantes, entre elas contribuir para a redução da desigualdade social. Tem muita gente precisando da gente, tem muitos projetos precisando da iniciativa privada para se desenvolver. Hoje, entendo que o sonho de abrir a empresa vinha sim da mentalidade dos meus pais de que era preciso trabalhar, trabalhar, trabalhar. E hoje também entendo a enorme responsabilidade que a gente tem em ajudar pessoas e espaços ao nosso redor, gerando uma relação de confiança com o mercado e com a sociedade.

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Alex Oliveira

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