Energia solar: setor segue em alta mesmo com aumento de impostos

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“Os desafios tributários, altas taxas de juros e a complexidade regulatória do setor elétrico brasileiro têm demandado mais preparo, planejamento e inovação no segmento de energia solar. Contudo, a energia solar fotovoltaica permanece como uma das alternativas mais promissoras para consumidores e investidores”, A avaliação é de Adriane Pessôa, profissional da Allog, empresa especializada em logística internacional, que destaca a resiliência e atratividade do setor.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mais de 4,3 milhões de consumidores brasileiros já se beneficiam da geração distribuída. São aproximadamente 3 milhões de sistemas instalados em residências e empresas — um total que já ultrapassa 34 GW de potência operacional. Além de permitir economia de até 90% na conta de luz, a energia solar valoriza imóveis e impulsiona o setor de energias renováveis no país.

importação energia solar allog

Impacto tributário e movimentação de mercado

Desde 13 de novembro de 2024, com a entrada em vigor da Resolução Gecex nº 666, os módulos solares importados passaram a ser taxados com alíquota de 25% de imposto de importação. Trata-se de uma alta significativa frente aos 9,6% anteriores. A mudança impulsionou uma corrida às importações, gerando picos de movimentação no setor logístico.

“Apesar da nova tributação, houve um aumento nas importações no fim de 2024, justamente para fugir das novas alíquotas. Ainda há estoques no mercado e o setor segue vivo, especialmente com a geração centralizada abastecendo pequenas indústrias e regiões específicas do país”, explica Pessôa. A Allog, segundo ela, permanece como o agente de carga com o maior volume de importação do setor no Brasil, com forte atuação no transporte internacional de painéis solares.

Avanço tecnológico e papel das baterias no sistema off-grid

Com o avanço da tecnologia e a intensificação das discussões sobre independência energética, cresce também a demanda por baterias mais eficientes e acessíveis. O armazenamento de energia gerada pelos painéis podem ser armazenados em sistemas Off Grid.  Elas são responsáveis por armazenar a energia gerada pelos painéis solares durante o dia, garantindo o fornecimento de eletricidade em momentos sem sol. Também  minimiza os problemas com inversão de fluxo, além de viabilizar projetos fotovoltaicos em regiões remotas. A redução do custo destas baterias tem tornado estes sistemas mais acessíveis, gerando uma forte tendência no mercado atual.

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Retorno do investimento ainda é vantajoso

Mesmo com o aumento dos custos, a energia solar ainda representa uma excelente opção de investimento em 2025. De acordo com estimativa da consultoria Greener, o impacto nos preços dos sistemas residenciais pode chegar a 13%. Isso considerando a alta nos impostos e o corte no subsídio chinês para exportação de painéis. Um sistema padrão de 4 kWp, por exemplo, deve ficar quase 26% mais caro. Isso pode elevar o tempo de retorno do investimento de 3 para 3,2 anos.

Energia solar valoriza o imóvel

Além da economia, a instalação de painéis solares representa uma valorização significativa para imóveis. Pesquisa realizada pelo QuintoAndar e o Instituto Datafolha revelou que 73% dos brasileiros que moram em casas e 74% dos que vivem em apartamentos desejam ter um sistema solar. Outro levantamento, da Brain Inteligência Estratégica com a Abrainc, aponta que 66% dos compradores aceitariam pagar mais caro por um imóvel com energia solar instalada.

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Do ponto de vista fiscal, os sistemas solares podem ser declarados como benfeitorias no Imposto de Renda. Isso ajuda a reduzir a base de cálculo do imposto sobre ganho de capital em caso de venda do imóvel.

A energia solar segue como uma solução estratégica e rentável para brasileiros que buscam economia, sustentabilidade e valorização patrimonial, além de ser um dos pilares essenciais na transição energética como um todo. A infraestrutura logística, como aponta Adriane Pessoa, continua a desempenhar papel essencial no abastecimento e na evolução desse mercado que, mesmo sob pressão, mantém o olhar voltado ao futuro.

 

 

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