Seca no Amazonas: recomendação é antecipar importações

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A seca no Amazonas e as mudanças climáticas representam desafios significativos para a logística marítima na região amazônica em 2024, apontou o X Fórum de Logística organizado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). A redução dos níveis dos rios pode dificultar ou até mesmo inviabilizar a navegação, impactando o transporte de cargas e elevando os custos do frete.

Além disso, o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas e inundações, pode levar a acidentes e interrupções no transporte fluvial.  Embora a magnitude da seca de 2024 na região amazônica ainda seja incerta, especialistas do Fórum de Logística recomendam antecipar importações em até 30 dias como medida preventiva à seca no Amazonas. O objetivo é minimizar os impactos da estiagem na cadeia logística, considerando sempre o potencial de demanda da empresa.

Seca no Amazonas

Diante da possibilidade de uma nova seca, Gabriel Werneck, consultor de vendas do Grupo Allog, ressalta a importância de cada fábrica e importador realizar análises de demandas e estoque. Essa atitude é crucial para definir estratégias e evitar a paralisação da produção e o desabastecimento durante a vazante.

Uma das soluções mais eficazes e que vem sendo amplamente adotada pelos clientes é a antecipação da compra de insumos. Isso permite total controle sobre o processo. Segundo Werneck, os principais produtos importados pela indústria amazonense são eletroeletrônicos, motocicletas e equipamentos de telecomunicações.

Seca no Amazonas: impactos em 2024

Realizado na última semana de maio, o X Fórum de Logística reuniu especialistas para discutir os impactos da seca de 2024 na região e propor soluções para o futuro. Coordenado pelo professor Augusto César, o evento abordou temas como monitoramento hidrológico, geomorfologia fluvial, mudanças climáticas, transporte de sedimentos, movimentos de massa, monitoramento com tecnologias recentes e o papel do Arquipélago de Anavilhanas.

O encontro também destacou a importância da colaboração entre academia, indústria e governo para enfrentar os desafios climáticos no Norte do país. A aplicação prática do conhecimento científico e a tomada de decisões informadas são essenciais para mitigar os impactos das secas e outros eventos climáticos extremos.

Flutuações do Nível dos Rios na Amazônia

O recente comportamento dos níveis dos rios na Amazônia, especialmente o Solimões e seus afluentes, demonstra um complexo equilíbrio entre fatores climáticos e geomorfológicos. Apesar de uma severa seca no rio Branco e uma enchente extraordinária no rio Acre no início deste ano, o nível dos leitos em algumas regiões, incluindo Manaus, não apresentou descida significativa. Este fenômeno pode ser explicado pela capacidade de absorção da bacia hidrográfica, que continua a regular o fluxo das águas.

A geomorfologia fluvial, que estuda as formas dos rios e suas variações, também desempenha um papel crucial. As mudanças no nível de base, influenciadas pelo rio Solimões, afetam diretamente o rio Negro, demonstrando a interdependência dos sistemas fluviais na região.

Os dados revelam ainda que, embora os níveis atuais estejam dentro da faixa de normalidade, ainda há um monitoramento constante para evitar surpresas como as registradas em anos anteriores. Especialistas ressaltam a importância de compreender a geomorfologia e hidrologia dos rios para melhor prever e gerenciar esses eventos naturais. A pesquisa contínua e a análise dos dados históricos são fundamentais para adaptar as estratégias de mitigação e resposta a esses fenômenos extremos na Amazônia.

Laboratório LABCLIM

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) desenvolve o Laboratório de Modelagem Climática (LABCLIM), financiado pela Agência Nacional de Águas (ANA). O objetivo é compreender os impactos futuros das mudanças climáticas no ciclo da água da Bacia Amazônica. O laboratório desenvolve modelos matemáticos e hidrológicos para simular o comportamento do clima e dos recursos hídricos na região, visando gerar prognósticos precisos sobre precipitação, nível dos rios, vazão e áreas de inundação.

A professora Fabiana Lucena propôs a criação de um Observatório Climático e Hidrológico para monitorar e prevenir problemas na navegação fluvial na Amazônia. A missão seria emitir boletins mensais sobre o clima e a hidrologia da região, indicar a necessidade de equipamentos para monitoramento das bacias hidrográficas, desenvolver metodologias para cálculo de lead time na navegação e estabelecer matrizes de comunicação para alertar populações ribeirinhas sobre fenômenos extremos.

Soluções e Propostas do X Fórum de Logística

  • Aprimoramento do monitoramento hidrológico
  • Desenvolvimento de modelos hidrológicos
  • Adaptação da infraestrutura portuária
  • Implementação de sistemas de alerta
  • Promoção da navegação multimodal
  • Investigação em tecnologias inovadoras

Seca no Amazonas

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