Dia do Comércio Exterior no Brasil: o que é preciso para o país crescer

Compartilhe esse artigo

A data de 28 de janeiro é mais do que importante: Dia do Comércio Exterior no Brasil. Há pelo menos 20 anos, o Brasil passou a abrir os olhos e as fronteiras para melhor desenvolver um dos segmentos mais importantes para um país: o comércio exterior. Compramos produtos acabados da China, Estados Unidos e Europa, mas também vendemos muito para estes mercados, em especial alimentos e minério de ferro.

dia do comércio exterior no Brasil

No Dia do Comércio Exterior no Brasil, a coordenadora do curso de Comércio Exterior da Univali, Natali Nascimento, faz uma análise do cenário econômico e logístico do Brasil e o que é preciso fazer para avançar no mercado internacional. Natali também é professora das disciplinas de Negociações Internacionais e Internacionalização, orientadora da graduação e especialização nas áreas de negócios internacionais, e coordenadora de MBAs em Negócios Internacionais da universidade.

Confira entrevista exclusiva que ela concedeu ao Blog da Allog.

dia do comércio exterior no Brasil_Natali Nascimento

Blog da Allog: A presença do Brasil no comércio exterior mundial é inexpressiva, algo em torno de 1%. Somos um gigante tímido. Como o país pode se tornar um destaque internacional?

Natali: O Brasil é reconhecido mundialmente por suas exportações de commodities e citado com um dos grandes provedores de alimentos do mundo. No entanto, para que sua participação no comércio mundial se torne expressiva, é preciso investir em inovação e tecnologia. Se observarmos o movimento das grandes economias mundiais, o investimento em pesquisa e desenvolvimento garante eficiência na cadeia global de valor. Isso gera melhores condições comerciais para os países que desenvolvem conhecimento.

Blog da Allog: O mundo se torna cada vez mais globalizado, mas o cenário nacional continua se destacando na exportação de commodities. Na sua opinião, o que atrapalha o desenvolvimento do segmento nacional?

Natali: A falta de uma política de Estado que garanta a estabilidade e continuidade de programas e ações capazes de estimular a geração de negócios sem prejudicar a competitividade da indústria nacional.

Blog da Allog: Uma possível entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) poderia ajudar a mudar esta realidade, principalmente se considerarmos os exemplos do México e Chile que fazem parte da organização?

Natali: A entrada do Brasil na OCDE poderia garantir, em parte, uma melhor participação do país no mercado mundial. Isso porque haveria a necessidade de melhoria da política interna e externa, possibilitando de certa forma uma estabilidade comercial capaz de atrair investimentos estrangeiros. Por outro lado, ao entrar no chamado “Clube dos Ricos”, o Brasil correria o risco de perder seu protagonismo entre os países emergentes. Além disso, existem uma série de outros compromissos os quais o Brasil precisaria estabelecer, entre eles a contribuição financeira para a organização. Estando em momento de crise, no qual educação, saúde e segurança passam por uma série de cortes financeiros, a participação na OCDE gera divergências de opiniões.

Blog da Allog: No que diz respeito aos Acordos de Livre Comércio (FTAs), a participação do Brasil ainda é pequena. Essa aproximação com a União Europeia poder ser uma alternativa a curto prazo e, quem sabe, uma das soluções para o futuro do comércio exterior?

Natali: Acredito que essa aproximação entre Brasil e União Europeia é importante para o desenvolvimento de novos negócios. Porém, é preciso entender que a indústria brasileira corre um sério risco de perdas caso não invista em pesquisa e desenvolvimento. Isso porque, a partir do momento que as reduções de alíquotas de importação tendem a aumentar as importações de produtos europeus, a competitividade da indústria nacional precisará ser capaz de garantir as mesmas condições para inserção dos bens e serviços nos países daquele bloco econômico.

Blog da Allog: Como os obstáculos burocráticos para empreender no Brasil afetam os negócios com o mercado externo?

Natali: A falta de eficiência da infraestrutura pública brasileira é um dos grandes vilões para o desenvolvimento do empreendedorismo no país. Se considerarmos o tempo de abertura de empresas, de liberação de licenças, de processos fiscais, aduaneiros e administrativos em países desenvolvidos, o Brasil fica em posição de destaque negativo, fator muitas vezes desmotivador para se empreender em um país de grandes oportunidades.

Blog da Allog: Na infraestrutura, é sabido que o fluxo de cargas no Brasil se dá majoritariamente pelas rodovias, das quais apenas 13% são pavimentadas. A logística nos 37 portos em operação no país também não é considerada das melhores. Se mudarmos estas realidades, o país poderia ocupar o lugar que merece na economia internacional?

Natali: O Brasil é um país de extensão continental, mas que possui uma matriz de transporte inversa dos principais mercados mundiais. O investimento em ferrovias e o uso de hidrovias para o deslocamento do fluxo comercial das importações e exportações poderia não só melhorar as condições das rodovias nacionais, como permitir mais competitividade à indústria.

QUER SABER POR QUE 28 DE JANEIRO É O DIA DO COMÉRCIO EXTERIOR NO BRASIL? Clique aqui.

A HISTÓRIA É BEM CURIOSA.

Dia do Comércio Exterior no Brasil

Mais artigos

documentos de exportação
Blog

5 documentos de exportação que você precisa conhecer

Quais são os documentos de exportação mais importantes? A indústria do frete oceânico é famosa por sua papelada. Por este motivo, é importante estar atento a cada um dos documentos de exportação, assim como conferir todos os prazos. Qualquer erro pode causar problemas e atrasos que podem afetar seriamente a cadeia de suprimentos. Em geral,

Geral

Os 8 estádios da Copa do Catar: alta tecnologia e design

Os novos estádios da Copa do Catar estão prontos e somente a espera de novembro chegar. Foram quatro anos e meio de preparação para que o país pudesse receber as 32 seleções que competirão em 8 estádios esportivos. Cada estádio conta com tecnologia de alta eficiência para controlar a temperatura, sempre alta nesta região do

Rolar para cima